Entrar
  
ForumMercado
Entrar
Artigo

Da Terra Brasilis das paixões ao Brasil das leis!


"Por que, apesar de tudo, o Brasil deu certo?"
  22/02/2018
  15:01
  Atualizado em 21/08/2018 18:30

       Laurentino Gomes, autor da trilogia 1808, 1822, 1889, em certo momento indaga "Por que, apesar de tudo, o Brasil deu certo?" Sem dúvidas, é uma pergunta que, de início, nos causa certa inquietação. Ele justifica e discorre sobre o "apesar dos pesares" já que somos um dos países mais pujantes do mundo, com uma população com mais de duzentos milhões de habitantes que, em sua história, possui fatos que poderiam nos levar a uma realidade bem diversa da atual.
        Cita, por exemplo, que é consenso entre os estudiosos que se não fosse a vinda de Dom João VI para o Brasil, estabelecendo um poder central, não haveria a unidade territorial que conhecemos hoje, mas sim, a existência de, pelo menos, quatro países de língua portuguesa, devido aos vários movimentos separatistas havidos.
          Além de fatos históricos relevantes como esse, uma das abordagens de Gomes é que o Brasil adquiriu seu status, apesar de uma cultura passional originária que explica o "jeitinho brasileiro". Infere-se então que o Brasil "deu certo" perto do que poderia ser, mas que ainda está muito longe do que pode vir a ser.
      O entendimento dessa cultura exige a compreensão da própria formação do povo brasileiro. Esse desafio exige um aprofundamento em outras literaturas, tais como Casa Grande & Senzala  Gilberto Freyre -, e O Povo Brasileiro - Darcy Ribeiro, as quais explicitam bem os entrechoques de etnias e culturas.
          E é sobre essa CULTURA de origem lusófona, latina, "miscigenada" com a dos índios nativos e a dos afros, outrora escravos que está assentado todo o nosso ordenamento jurídico positivado, escrito. E uma das características mais marcantes dessa resultante cultural é SER PASSIONAL. Talvez daí tenha surgido fertil campo para o assentamento de um patrimonialismo histórico que explique o tal "jeitinho brasileiro", cujo remédio, o filósofo Platão há muito prescrevia: para as paixões humanas, eis a lei.
        Assim, existem dois paralelos observáveis. Um, em que quanto mais passional a cultura seja, menor a aderência às leis. Outra, ao contrário, revela uma sociedade mais pragmática. Assim estaremos diante de comunidades com menor ou maior grau de jurisdicização. Por exemplo, nórdicos, anglo saxões, germânicos, judaicos e nipônicos são povos menos passionais, os quais seus IDHs geralmente mais elevados refletem maior respeito às leis, modos e costumes. Curioso é que, quase sem exceção, são países que passaram por grandes fragelos em suas histórias, referente às guerras passadas.
      Para povos mais cartesianos o SER factual está mais próximo do DEVER SER legal ou consuetudinário, aproximando o indivíduo de uma melhor percepção do valor de justiça. Para os países de origem latina como o nosso, mais passionais, a esperança de que cada qual pode e deve encontrar o seu caminho próprio para solução de seus problemas é a Itália, sobretudo o norte daquele país, tida por desenvolvida e já tendo enfrentado toda sorte de corrupção, na qual era promíscua a relação da máfia com o poder público, por exemplo.
         Essa exposição não tem por objetivo ser uma crítica absoluta, pois essa mesma cultura que revela maior dicotomia entre o SER e o DEVER SER tem outros predicados fascinantes e que nos identifica, as quais, particularmente, sinto orgulho. Somos um povo alegre e pacifista. Não sintamos vergonha de bater no peito e dizer "sou brasileiro", de cabeça erguida, a assim lutar pelo exercício pleno da cidadania, participando da busca de soluções de nossos problemas, sem ficar refém nem da alienação, nem do individualismo que pode nos lançar na armadilha da hipocrisia daqueles que só reclamam, mas nada fazem.
          Então iremos perceber que não nos resta outra alternativa: lutar para tornar essa abençoada Terra Brasilis um lugar melhor para nós e para as futuras gerações. Nesse sentido, toda a manifestação popular, cidadã para demonstrar indignação com os rumos do país é legítima, desde que pacífica.
       Por mais utópico que sejam os conceitos democráticos e republicanos, dentro do contrato social que nos rege, reside a certeza de que só há um caminho para diminuir as dicotomias que nos afligem e nos causam tamanha indignação: UMA MAIOR CONSCIENTIZACÃO POLÍTICA DO POVO que conduz a sua efetiva participação.
         Ou seja, por mais odiosa que possa ser a percepção de muitos acerca da politica, em certa medida, ela reflete a falta dessa participação popular mais consciente. Desse modo, fica a convicção de que não existe caminho para as soluções de nossos pátrios problemas no ato de negar a politica. Hemos de aprimorá-la para nos reconhecermos como uma nação dos trópicos plenamente desenvolvida, mais justa, com o povo mais apaixonante, pacifico e alegre do planeta, com respeito efetivo às leis e a constituição que rege nosso Amado Brasil, pois um filho teu não deve fugir à luta. 

Fonte/Autor: Por Mauro Rogerio, para Brasil Futuro.
   #DiagnósticoBrasil #BrasilFuturo
MBF
© 2018 MOVIMENTO BRASIL FUTURO.      Todos os direitos reservados.