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Artigo

Não existe salvador da Pátria.

  26/02/2018
  20:43
  Atualizado em 19/07/2018 02:28

         A atividade política tende a efervescer com interações mais acentuadas diante de fenômenos que refletem a própria dinâmica da sociedade com relação ao valor de justiça, em determinada época. Há o entrechoque de variadas percepções que, contrapostas a princípios e valores já consolidados – tais como liberdade, igualdade e moralidade–, conduz as pessoas a se manifestarem para que as instituições cumpram seu dever e, invariavelmente, a novas sínteses normativas e à necessidade de aderência à legislação pré-existente que, até então, tida como letra morta. Eis o momento atual do Brasil.

             Interpretar essa realidade no fogo das paixões individuais e coletivas, de maneira mais isenta possível, não é tarefa fácil, dada a sua complexidade. No entanto, esse diagnóstico é preciso para podermos agir de modo oportuno e pertinente para fazer frente aos desafios que se apresentam com coerência.. Não é mais possível ficarmos escravizados às velhas fórmulas passionais e patrimonialistas do passado que perseveram no presente. A solução: eis a lei, cuja eficácia depende da nossa vigilância permanente.

              Só assim estaremos começando a desvendar os melhores rumos para as gerações vindouras. Nota-se que, atualmente, o Brasil passa por um momento extremamente delicado no qual a ética e a moral são afogadas pelas crises política e econômica, sob a refrega institucional, em um cenário em que a corrupção começa a ser cada vez mais desvelada para a população que sofre todos as consequencias.

           De maneira geral, as manifestações populares evidenciam uma distância abissal entre a sociedade e a classe política. A corrupção sistêmica, revelada com a operação Lava Jato, expõe as vísceras fétidas da barganha entre representantes do poder político, estatais e empreiteiras que podem transcender, e em muito, o esquema do petrolão.

         Então, agora se tenta de um tudo para resgatar a credibilidade já perdida. O governo outrora adepto do método da cooptação, cede espaço para a coalizão na tentativa de impedir – ou retardar – o naufrágio. Viabilizar o equilíbrio fiscal é uma necessidade premente da gestão, enquanto “alguma” reforma política seria melhor que nenhuma para dar um alento às vozes das ruas. Resta a indagação: essas respostas serão capazes de estancar a indignação popular que experimenta dia a dia a piora dos índices sociais e a queda do seu poder aquisitivo?

         Essa insatisfação coletiva pode ser tamanha, que pode dar margem a que um tudo possa aconteçer: até o furor de uma convulsão social. Seja plausível essa hipótese, estaremos inequivocamente diante do imponderável. E nesses momentos cruciais, historicamente, o sistema político para preservar o seu "status quo", costuma oferecer alguns dos seus como bode expiatório na tentativa de expiar os seus pecados junto à sociedade a quem deve satisfação. Ou seja, mudar para manter tudo como “dantes no quartel d’Abrantes”.

           A grande questão seria como, então, resgatar a necessária confiança da sociedade no processo político diante da convicção de que qualquer caminho fora da política seria retrocesso? E mais, como então resgatar a confiança da população no processo político-partidário? Quem, por exemplo, dentre as pessoas de bem, estaria disposta a se embrenhar na complexa atividade política, sem se enlamear e sem abrir mão dos seus valores fundamentais para fazer valer as vozes das ruas? Inércia e insegurança não ajudam em nada.

         Óbvio que não existe a figura do salvador da pátria, capaz de tudo resolver. Existe você, eu: nós! Esse é um problema nosso, de todos. Então depende de nós o exercício pleno e vigoroso da cidadania como fator decisivo para a maior eficácia do "dever-ser" inerente ao Estado que se pretende Democrático e de Direito.

          Só com a força da conscientização e da participação popular será atingido o efetivo desenvolvimento social, humanístico e econômico. É a qualidade desse esforço participativo coletivo que conduzirá a uma maior equidade social com respeito ao valor de justiça e à dignidade da pessoa humana, reflexo natural do consequente fortalecimento de todas as instituições republicanas.

          De outra forma, a omissão alienada e egoísta significa que estaremos fadados à hipocrisia que hoje permeia nosso tecido social, condenando o Brasil e milhões de seus filhos à desesperança de dias sombrios, em que o homem será cada vez mais lobo do próprio homem; e a nação, eterna colônia dos trópicos explorada por povos mais organizados do além mar.

         É isso que você deseja para você e seus filhos e netos? Não!? Então façamos cada qual a nossa parte. Levantemos e ecoemos em uníssono, clamando, lutando e construindo um Brasil pujante e verdadeiramente no caminho do desenvolvimento pleno.

            Acredite, depende de nós!

 

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