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Artigo

Que novo (na Política) é esse?

  02/03/2018
  10:54
  Atualizado em 07/09/2018 05:00

          O manto da urgência faz com que saiamos em defesa da quebra de tradições, inclusive na tão desgastada Política. Por vezes, no entanto, nos esquecemos que, historicamente, e talvez por força de tradições, o tal do novo já foi versado por um sem-número de oportunidades. Basta, porém, uma única intervenção de insucesso para que o novo não se encaixe mais no sonho varonil e se torne uma não famigerada experiência.

             Antes de pensarmos num Brasil ideal, é preciso etiquetar as coincidências, até mesmo para tirarmos de nossa frente uma fumaça, densa e pretensiosa, que nos cega há décadas. Devemos saber identificar, inclusive, tudo aquilo que faz parte do aparato político – admitindo ou não que é por meio da Política, apesar das diversificadas mazelas que abarca, que definimos o futuro.

            Aliás, antes de colocarmos o futuro em discussão, temos de entender o passado e respeitá-lo, apesar de seus desfechos nem tão gloriosos. A abolição da escravidão é um exemplo. O País libertou os escravos, pela Lei Áurea, mas no desenrolar da história, mudou-se a metodologia de exploração. E, que fique claro: não é a história que encontra seu caminho, mas, sim, as oportunidades e as conveniências – é a tal Política a serviço do individualismo e da vantagem, pura e simplesmente.

         Tenho por mim que a Política não é o problema disso tudo. Assim como não é o carro o culpado pelos acidentes automobilísticos que todos os dias vitimam centenas de pessoas. Quem “dirige” a Política é o responsável pelas ações decorrentes a ela – tanto as que salvam, quanto as que sacrificam, assim como as que tiram o sono do brasileiro que não sabe mais o que fazer ou em quem votar para que “as coisas mudem”.

            Na contramão deste cenário, há uma pobreza de ideias e uma falta de preparo visível em muitas opções. A cada novo nome que surge como uma espécie de “reparo” e de “salvador da Pátria”, há contestação e subversão. Na maioria das vezes, o brasileiro se vê abandonado à própria sorte por um longo período e, de repente, próximo à corrida eleitoral, é contemplado com produtos pasteurizados, empacotados e oferecidos com direito a slogan sedutor e promessas que, se antigamente não eram tão perecíveis assim, abraçam a putrefação, na menor sensação de falta de representatividade.

             Acontece que o brasileiro tem pressa, e exige, grita e se faz vivo nas ruas, em movimentos sociais e na Internet. Acabou a passividade, e muitos líderes políticos ainda não entenderam que a participação popular, hoje, não é mais opção. É item de série. Faz parte do processo. Numa desenfreada busca por alguém que entenda minimamente disso, surgem os “novos”, entre não tão novos assim, e demais que jamais pisaram na areia movediça que é a Política.

          O novo pode renovar a história. Tem seu DNA essa condição. Porém, se experiência não é uma condição obrigatória, preparo é psicotécnico na Política. Com popularidade ou não, seja ela repleta de glamour ou anêmica, quem quer participar da Política deve se preparar.

            Falta de informação e de solidez em argumentos e na identificação dos problemas do povo brasileiro faz, não de hoje, que o velho travestido de novo tenha desempenho eleitoral melhor – sendo que, por melhor que seja o resultado nas urnas, nem sempre ele é garantia estendida de governabilidade e de sensibilidade frente às necessidades da população.

MBF
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