Notícia

GOVERNO VERSUS ESTADO


Nunca é tarde para uma atitude de Estado e útil para todo o povo.
  09/03/2020
  11:49
  Atualizado em 09/03/2020 15:17




Ministros do Bolsonaro estão sugerindo que ele peça o cancelamento da manifestação no dia 15/03, conforme notícia do Estadão. Eu até tinha algum nível de interlocução com o Gen Heleno e não saberia dizer se ele me ouve (https://bit.ly/39zlYTe). Também já há uma nítida percepção de que pedir o cancelamento é melhor do que constatar o possível fracasso da mobilização.

Ademais, precisa haver uma pacificação mínima para a retomada de uma agenda propositiva. Fatores como a derrubada do preço do barril de petróleo, e mais o coronavirus já são deveras preocupantes. Ter um Presidente que convoca marcha popular contra os demais Poderes nesse cenário, além de não ajudar em nada, caracteriza claro crime de responsabilidade.

Além do quê, Bolsonaro "brincar de ruas" é como criança brincando com fogo. Pode se queimar. Ou as pessoas não lembram como começaram as manifestações em 2013, em pleno governo petista? Não era pelos vinte centavos.

Afinal, não há motivos para comemorar, com o PIB de 1,1% que sinaliza quase estagnação por uma longa estação. Com isso, equilíbrio fiscal, recomposição do poder aquisitivo, empregabilidade e políticas sociais têm seus horizontes de metas altamente comprometidos.

O que Bolsonaro, Guedes e muitos parecem ignorar é que "sem política real, pactuada, com propósito, não há investimentos, não há crescimento econômico". E isso não tem nada a ver com "toma lá, dá cá"; sobretudo, trata-se do fortalecimento das relações de confiança. Faz parte disso a liturgia necessária ao cargo da Presidência da República em respeito às instituições do Estado que, também, são importantes para o êxito do próprio governo.

Ao contrário, os pronunciamentos de Bolsonaro, ao invés de ter a função de bombeiro, age como incendiário e esse rasgar "de cartilhas" poderia sinalizar a consciência que começa a ter da própria inaptidão, frente a ausência de resultados consistentes. Daí, a convocação para as ruas já denotar certo desespero e, nesse caso, por que não responsabilizar terceiros (Congresso Nacional)?

Se o Planalto não puser o pé no freio imediatemente, nada é tão ruim que não possa piorar. Se Bolsonaro vier em rede nacional de rádio e TV pedir o cancelamento da mobilização do dia 15 de março, terá os meus aplausos. Caso contrário, inequivocamente, o governo estará dando um enorme tiro atentatório contra o Estado brasileiro, que precisa, sim, ser reformado, mas não destruído.

Por Mauro Rogerio
Coronel R1 Av Força Aérea
Movimento Brasil Futuro








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