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PERDÃO E RENÚNCIA!


Enfim, a mea culpa de Bolsonaro.
  01/04/2020
  16:46
  Atualizado em 01/04/2020 18:09




Se o pronunciamento que o Presidente da República fizera no dia 31 de março, tivesse sido feito no fim de fevereiro, início do mês, teria valia inequívoca. No entanto, após afrontar a lógica e a todos, receio que valha uma nota de três reais. E nem vou entrar nas entrelinhas do que "ele pretendeu dizer", enquanto ameaças veladas às quais revela o desejo implícito e não confessado em promover um autogolpe.

Lacônico, acuado, quis avocar para si méritos do próprio governo, diante do próprio demérito. Contudo, o cristal da confiança resta quebrado e Bolsonaro que esculpiu o próprio epitáfio, chora diante dele ao se perceber no exercício cargo e sem a legitimidade e a força dos votos daqueles que o elegeram.

Há em torno dele um séquito de bajuladores aloprados em rito de seita, cuja militância ele tinha esperança, ou mesmo a certeza, de chegar ao segundo turno em 2022. Agora, não mais, posto que a estridência das mesmas panelas, que outrora ecoavam o antipetismo, evidenciam, por hora, um crescente antibolsonarismo.

Bem, talvez tenha chegado o momento de ele descer do palanque para tentar salvar o pouco que ainda lhe resta. Seria nobre de sua parte ser humilde. Poderia se soerguer se ousar baixar a guarda e estender as mãos. Por remota que seja, é uma possibilidade, dada a necessidade do país de convergência para o centro democrático, não fisiológico. Em assim não sendo, a tendência é mesmo que surja uma alternativa diferente de águas passadas, que não seja nem Bolsonaro e nem PT, e decretemos o fim da polarização que não apresenta projeto de Brasil, apenas de poder pelo poder.

Tardiamente, ou a posteriori, assim como em torno de Lula havia toda sorte de parasitas e sanguessugas, ainda nos será revelado os méritos de decisões correntes em nome de um pseudo neoliberalismo que, ainda que por força das circunstâncias, se renda abertamente ao keynesianismo estatal, nunca deixou sê-lo. A diferença é que se Lula nunca escondeu sua face prostituta, Bolsonaro posa de santa. Ou de inocente útil a interesses escusos, pouco republicanos. Vai saber a linha tênue que separa a má-fé da incompetência.

Certo é que os fatos irão se impor e, de uma forma ou de outra, seja como for, estaremos unidos na dor. Nesse caso, a dor também pode ser entendida como sinônimo de amor. O amor que nos une para um novo florescer, numa revigorada alvorada. Tudo passa e isso também passará.

E sejam quais forem os desígnios de Deus, já que em tudo deve haver um propósito, se o arrependimento autêntico é a condição para a redenção dos pecados, que Bolsonaro tenha o Seu perdão, mas que seja para não causar mais estragos, dor e sofrimento como Chefe de Estado, que deveria ser.

E a mostra cabal desse arrependimento autêntico é a renúncia aos erros e enganos, e por que não dizer, também ao autoengano. Renúncia e perdão! Se assim não for, melhor seria renunciar e dar lugar ao Mourão.

Por Mauro Rogerio
Movimento Brasil Futuro









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